A mais recente rodada da pesquisa Futura/Apex, divulgada nesta sexta-feira (22/5), aponta ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro nas simulações de primeiro turno para 2026. No cenário com os dois nomes, Lula soma 42,7% das intenções de voto ante 35,6% de Flávio, diferença superior à margem de erro de 2,2 pontos. O levantamento ouviu 2.000 eleitores em 878 municípios entre 15 e 20 de maio e está registrado no TSE (BR-06529/2026).
O resultado marca mudança em relação à rodada anterior, publicada em 11 de maio, quando ambos apareciam tecnicamente empatados. A virada coincide com a repercussão de um áudio, divulgado pelo Intercept Brasil, em que Flávio solicita apoio financeiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro — figura ligada a investigações sobre supostas irregularidades no Banco Master. A associação do senador a esse episódio, na avaliação dos eleitores, parece ter gerado impacto mensurável nas intenções de voto e deslocado o tabuleiro eleitoral a favor do presidente.
Além do duelo principal, a pesquisa mostra que, se Flávio sair do quadro, Lula recua para 39% enquanto Romeu Zema sobe para 13,3% e Ronaldo Caiado registra 13,1%, tecnicamente empatados entre si. Outros pré-candidatos aparecem em patamares marginalizados: Zema 3,9% (no cenário com Flávio), Caiado 3,3%, Renan Santos 1,7% e pequenos nomes abaixo de 1%. Brancos, nulos e eleitores sem escolha somam 7,8% e os indecisos 2,8%. O mapa revela concentração de voto nos dois polos principais e limitada margem para alternativas da centro-direita.
Politicamente, o levantamento acende alerta para a oposição: a ampliação da distância expõe vulnerabilidade de Flávio Bolsonaro diante de episódios que remetem a relações com o mundo financeiro e possíveis conflitos de imagem. Para o governo, os números confirmam vantagem sólida, mas não asseguram vitória definitiva — tratam-se de retratos do momento com margem de oscilação. No campo prático, a oposição terá de decidir se reforça a estratégia de defesa do senador, busca reorganizar nomes ou explora cenários sem sua presença; já o entorno do Planalto encontra espaço político para pressionar por desgaste adicional. Em resumo, a pesquisa complica a narrativa oposicionista e amplia a pressão sobre aliados que precisem decidir rota para 2026.