O vazamento de um áudio em que o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, solicita R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro reacendeu a discussão sobre as formas de financiamento de campanhas e produções ligadas ao bolsonarismo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reagiu nas redes sociais, lembrando que dias antes do áudio ser divulgado Flávio havia atribuído ao Banco Master ligação com o PT — e ironizou a contradição.

A mensagem de voz, enviada em setembro do ano passado, pede apoio financeiro para a conclusão de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, no que o senador ressalta relação de proximidade com Vorcaro e a necessidade de honrar compromissos de produção. O envio do áudio ocorreu no mesmo mês em que Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento em trama golpista, segundo documentos públicos.

Dois meses depois do contato, em novembro, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em investigação sobre fraudes no sistema financeiro e suspeitas de pagamentos de propina e lavagem de dinheiro. A assessoria de Flávio Bolsonaro destacou que, quando procurou o banqueiro, não havia registros públicos de suspeitas e que se trataria de patrocínio privado, sem uso de dinheiro público ou leis de incentivo.

Politicamente, o episódio complica a narrativa do PL: além da contradição exposta por Boulos, a imagem de pedidos massivos de recursos a empresários dá argumento à oposição e pode ampliar demanda por esclarecimentos no Congresso — inclusive sobre eventual abertura de CPI do Banco Master, proposta até agora defendida pelo próprio Flávio em nota de defesa. O caso ilustra risco reputacional e a necessidade de transparência das fontes de financiamento em um momento de crescente escrutínio judicial e midiático.