No primeiro debate entre candidatos à Presidência, transmitido por um pool de emissoras no domingo (23/8), Augusto Cury (Avante) afirmou que, se eleito, classificará a corrupção como um crime de natureza violenta e pretende impor um prazo judicial máximo de seis meses para julgamento desses casos. O postulante citou o escândalo do Banco Master e criticou os envolvidos, responsabilizando-os também por defeitos intelectuais e financeiros.

A proposta de estabelecer um prazo rígido para julgamentos acende alerta sobre compatibilidade com garantias processuais e a capacidade do sistema judiciário. Especialistas e operadores do direito costumam dizer que prazos curtos podem pressionar magistrados e promotores, aumentar a seletividade de casos ou incentivar medidas legislativas de emergência — efeitos que a campanha de Cury não detalhou durante o debate.

Cury vinculou o combate à corrupção à proteção do futuro das famílias e emendou para o tema econômico: disse que o endividamento brasileiro tem “um rosto”, chegando a afirmar que uma criança nasce no país já devendo R$ 50 mil, e citou a Selic elevada (referida por ele em 14%) e spreads bancários de 5% a 7% como agravantes. A retórica busca unir agenda de anticorrupção à narrativa conservadora de responsabilidade fiscal e defesa do bolso do eleitor.

Politicamente, o discurso reforça uma estratégia dura que pode atrair eleitores indignados com irregularidades, mas complica a narrativa oficial caso a proposta avance sem detalhamento técnico. Exigir soluções rápidas coloca pressão sobre aliados no Congresso e abre espaço para críticas sobre viabilidade institucional e riscos de politização do Judiciário — desafios que o candidato terá de enfrentar nas próximas semanas.