O psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante, transformou repercussão em números: ganhou mais de 1 milhão de seguidores no Instagram em 24 horas, segundo levantamento divulgado na quinta-feira (27/8), e já totaliza cerca de 10 milhões na plataforma. Ferramentas de medição apontam também crescimento nas buscas; o Google Trends mostra Cury em alta, até acima de nomes já consolidados nas pesquisas.

O fenômeno nas redes foi amplificado por vídeos de grandes influenciadores que celebraram a candidatura como alternativa à polarização. Publicações com trechos do debate e elogios pessoais alcançaram milhões de visualizações e curtidas, produzindo um efeito de cascata e atraindo atenção da mídia e de públicos que até então não o conheciam.

Há, porém, um contraste relevante: em levantamento BTG/Nexus divulgado logo após o debate, Cury figura com 2% das intenções de voto. A discrepância entre visibilidade digital e peso em pesquisas eleitorais acende um alerta sobre a durabilidade do surto online. Transformar seguidores em votos exige estrutura partidária, logística de campanha, captação de recursos e exposição ao escrutínio jornalístico e eleitoral.

Politicamente, o episódio complica a narrativa da polarização fechada entre Lula e Bolsonaro: força uma reavaliação do espaço centrista e pode obrigar as campanhas majoritárias a ajustar mensagens e estratégias. Ainda assim, trata‑se de um retrato do momento, não de uma previsão definitiva — a capacidade de converter engajamento em base eleitoral e presença institucional será o principal teste a seguir.