O programa de governo de Augusto Cury, candidato do Avante, traz propostas institucionais e econômicas de fôlego e já disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral. Entre as medidas de maior impacto político estão a mudança para um regime semipresidencialista e a adoção de mandatos de oito anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, dividido em 18 projetos e 20 teses e com cerca de 200 páginas, também inclui a criação de uma diplomacia econômica.
No campo social e educacional, o plano estabelece a educação em tempo integral como prioridade estratégica, com ênfase em atividades extracurriculares, ensino médio reformulado e universidades atuando como polos de inovação. Há ainda um eixo batizado de Brasil Neuroinclusivo, que propõe políticas permanentes para autismo, TDAH, dislexia e altas habilidades, além do Plano de Inclusão por unidade escolar. O programa Mulheres Vivas prevê medidas de proteção às vítimas de violência e ações para facilitar acesso a qualificação e crédito.
A agenda econômica concentra-se em descentralizar a produção por meio do Ministério do Empreendedorismo e da Economia Distribuída, criação do Banco do Empreendedor e incentivos a microempreendimentos. Projetos específicos incluem regularização jurídica de até 5 milhões de moradias nas favelas sem remoção de ocupantes, financiamento a pequenos empreendedores locais, o plano Brasil Oásis para transformar o semiárido em área de produção com segurança hídrica e ambições de duplicar a produção de alimentos e multiplicar por dez as exportações de frutas em uma década. Há ainda propostas para estimular agroindústrias e uma rede de polos comerciais nas rodovias por PPPs.
Politicamente, as propostas institucionais acendem alerta sobre mudanças no equilíbrio entre Executivo e Judiciário: semipresidencialismo e alteração no tempo de mandato dos ministros exigiriam reforma constitucional e um amplo debate sobre freios e contrapesos. A ênfase em empreendedorismo, regularização fundiária e inclusão sinaliza tentativa de compor uma pauta econômica e social com apelo territorial e produtivo. Resta saber se a amplitude das propostas encontrará base legislativa para avançar — e qual será o custo político de reformas que mexem com a arquitetura do Estado em ano eleitoral.