Durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, o pré-candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, defendeu que a misoginia seja formalmente tipificada como crime. Cury afirmou que a violência contra a mulher é um problema estrutural e rejeitou qualquer previsão legal que reserve exceções por motivos religiosos ou políticos.
Na intervenção, o professor e psiquiatra citou sua obra sobre padrões de beleza e afirmou ter preocupação antiga com a pauta feminina. Também recorreu à figura de Jesus para argumentar que crenças religiosas não podem justificar práticas discriminatórias. O evento aconteceu no auditório da sede do jornal, em transmissão ao vivo, na primeira rodada de entrevistas com presidenciáveis.
A proposta de criminalizar a misoginia já em discussão no Congresso tende a ganhar combustível com posicionamentos assim: ao rejeitar exceções, Cury pressiona parlamentares a tomar posição clara. Politicamente, a medida sinaliza prioridade à proteção às mulheres e à ordem pública, mas também abre confronto com bancadas religiosas e grupos que defendem privilégios de foro moral ou de convicção.
Para a campanha, o discurso pode ampliar apelo entre eleitores preocupados com segurança e igualdade de gênero, ao mesmo tempo em que exige costura de apoio no Legislativo para transformar o debate em lei. O anúncio insere o tema na agenda eleitoral e intensifica a cobrança sobre deputados e senadores responsáveis pelo projeto.