O pré-candidato Augusto Cury (Avante) comunicou nesta quinta-feira movimentação em direção a uma aliança com o presidenciável Romeu Zema (Novo). Em carta aberta, Cury relatou ter conversado por telefone com Zema sobre a hipótese de formar uma chapa única já no primeiro turno, e afirmou que a proposta encontrou receptividade no contato inicial.

Ao citar o nome do ex-ministro Aldo Rebelo como alternativa para a composição, Cury também admitiu dificuldades internas em outro partido — o que coloca uma ressalva prática à costura do acordo. A menção explícita a negociações internas revela que o movimento ainda dependerá de pacificação partidária e de apoio logístico entre siglas, etapas que costumam consumir capital político e tempo.

O roteiro programático indicado por Cury — abertura de diálogo com economistas como Marcos Lisboa, Mansueto Almeida, Ilan Goldfajn e Pérsio Arida — deixa claro o alinhamento com agenda de responsabilidade fiscal e eficiência administrativa. Politicamente, trata-se de uma tentativa de consolidar um espaço moderado que se distancie da polarização e ofereça alternativa tecnocrática ao eleitorado insatisfeito.

A iniciativa tem potencial para reduzir a fragmentação do centro e tensionar estratégias de outros pré-candidatos, mas por ora é uma sinalização preliminar. Resta acompanhar se Zema aceitará avançar formalmente, como serão resolvidas as resistências internas e se a tática se converterá em capacidade real de mobilização eleitoral.