Em sabatina na Jovem Pan, o candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, afirmou que o Senado Federal deve discutir pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e voltou a defender a redução do número de integrantes da Corte, de 11 para 9. A proposta foi apresentada como inspiração na composição da Suprema Corte dos Estados Unidos.
Cury afirmou que "ninguém deve ser protegido" e classificou como necessária a aplicação de afastamentos em casos de condenação. Ele também cobrou que o presidente do STF, Edson Fachin, atue "com o máximo de independência, com o máximo de celeridade e com o máximo de justiça" em questões envolvendo a Corte.
Ninguém deve ser protegido. Ninguém está acima da lei
A proposta de reduzir o número de ministros e de levar impeachment de integrantes do Judiciário ao Senado tem efeitos práticos e políticos claros: exige emenda constitucional para alterar a composição do Supremo e transfere ao Congresso um protagonismo que pode aumentar a tensão entre os poderes. Ao responsabilizar o Senado, Cury desloca para o Legislativo a decisão sobre autoridades judiciais — um movimento com custo político e institucional.
Na campanha, a proposta tende a falar a parcela do eleitorado que reclama de atuação judicial percebida como ativista. Mas, se levada adiante, abre uma disputa complexa no Congresso e um embate institucional cuja resolução depende de cálculo político, maioria qualificada e de um debate público amplo sobre autonomia judicial e limites constitucionais.