O escritor Augusto Cury (Avante) emergiu como terceira força nas duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira. No levantamento Atlas/Bloomberg, Cury aparece com 7,8% das intenções de voto — salto relevante em relação ao recorte anterior — e no BTG/Nexus atingiu 11%, após subir de 2% em rodada anterior. Os números reposicionam o ex-externo na corrida presidencial e forçam nova leitura do mapa eleitoral.

O principal motor do avanço, segundo as apurações, foi a intensa circulação de vídeos e publicações favoráveis nas redes sociais: publicações que chegaram a somar milhões de visualizações, além de um aumento expressivo de seguidores no Instagram, que passou de cerca de 8,4 milhões para 10,7 milhões em uma semana. A campanha atribui o fenômeno a um movimento orgânico; o marqueteiro informa gasto de R$ 50 mil em impulsionamento do próprio candidato. A explosão digital reacende debate sobre durabilidade versus picos de exposição midiática.

Apesar da novidade, as pesquisas confirmam a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na Atlas, Lula marca 43,4% e Flávio 33,7% no primeiro turno; no BTG/Nexus, os índices foram 39% e 33%, respectivamente. Não houve projeções de segundo turno com Cury incluído. O avanço do escritor, no entanto, tem potencial para fragmentar votos e complicar estratégias de atração de centristas e eleitores indecisos — levantamento que acende alerta para coordenações de campanha e costuras políticas.

As pesquisas têm metodologia e janelas de coleta diferentes: a AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.014 pessoas entre 25 e 30 de agosto (margem de erro de 1 p.p., registro TSE BR-07972/2026), usando recrutamento digital RDR; a BTG/Nexus realizou entrevistas telefônicas com 2.005 pessoas entre 28 e 30 de agosto (margem de erro de 2 p.p., registro TSE BR-08900/2026). Analistas destacam que picos em redes podem influenciar intenções de voto no curto prazo, mas a consistência do movimento dependerá de sustentação midiática, estrutura de campanha e capacidade de converter atenção em votos efetivos.