A 9ª fase da Operação Compliance Zero colocou novamente no centro das apurações o empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como "Guga" Lima. A Polícia Federal descreve-o como peça estratégica para o esclarecimento das supostas fraudes relacionadas ao Banco Master, o que reacende foco sobre a cadeia de decisões e transações que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Pleno, controlado por ele, em fevereiro.
Além do histórico como CEO do Master, as investigações examinam a relação de Lima com o Banco de Brasília (BRB) e as negociações envolvendo a tentativa de venda do Master — processos que envolveram empresas como Tirreno e Cartus. Em diligências recentes, agentes da PF apreenderam R$ 1,7 milhão em espécie na residência do empresário, em uma contagem que, segundo relatos oficiais, levou várias horas. Lima já havia sido preso preventivamente na primeira fase da operação, em novembro de 2025, e posteriormente liberado mediante tornozeleira eletrônica por decisão da desembargadora Solange Salgado.
O inquérito central busca, entre outros pontos, comprovar se a proximidade entre o empresário e figuras políticas favoreceu interesses privados do banco. A PF apontou mensagens, registros de chamadas, encontros e até viagens e contatos familiares como indícios de um relacionamento estreito com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner — buscas contra o senador foram autorizadas pelo ministro André Mendonça do STF. Investigadores pretendem apurar se houve atuação para impulsionar projetos no Congresso que beneficiariam o Master, como propostas relacionadas a crédito consignado ou emendas vantajosas para a instituição.
Do ponto de vista político e institucional, a operação acende alerta e amplia desgaste para o campo governista ao envolver um parlamentar da linha de frente do Senado. O caso complica a narrativa oficial sobre governança e integridade nas relações entre setor público e privado, e pode trazer consequências práticas para o BRB, para a regulação bancária e para propostas legislativas associadas ao tema. A defesa de Augusto Lima considera as buscas desnecessárias e afirma que ele tem se colocado à disposição das autoridades há meses; formalmente, o empresário é investigado por corrupção ativa e passiva e por lavagem de dinheiro, mas ainda não há denúncia apresentada ao Judiciário.