Começou em Brasília a 27ª Marcha dos Prefeitos, que segue até quinta-feira e traz o tema “O Brasil que dá certo nasce nos Municípios”. A edição inclui uma sabatina com pré-candidatos à Presidência — entre eles Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — e já chega marcada por desconforto político: a ausência prevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de abertura provocou queixas entre gestores locais.

O encontro terá agenda oficial na manhã de terça-feira, com a presença dos presidentes do Congresso, Davi Alcolumbre (Senado) e Hugo Motta (Câmara), e mantém a tradicional série de visitas de prefeitos aos gabinetes no Congresso. Além do diálogo político, o tom do evento foi puxado para as finanças municipais, em meio a propostas recentes do Executivo que interessam diretamente aos municípios.

Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), fez críticas às medidas enviadas pelo governo, classificando algumas como potencialmente prejudiciais à gestão local. Ele ressaltou que a correção no cálculo do piso salarial do magistério tem impacto estimado em R$ 8,5 bilhões neste ano e que cerca de 88% dos recursos do Fundeb já são destinados ao pagamento do piso, o que reduz margem para outras despesas educacionais.

Ziulkoski também apontou atraso no repasse de emendas e advertiu sobre efeitos de propostas como a redução da jornada de trabalho — cujo impacto foi estimado em R$ 48 bilhões para os municípios — e a PEC da segurança pública. Para prefeitos de cidades pequenas e médias, a conta pela ampliação de responsabilidades em segurança e pela elevação de pisos salariais representa um agravamento da pressão fiscal, segundo a CNM, especialmente porque sugestões de emenda apresentadas pelos gestores teriam sido rejeitadas no Congresso.

A combinação da ausência do Presidente, do debate público com pré-candidatos e das preocupações financeiras dá ao evento um caráter menos protocolar e mais político. Para os prefeitos, a Marcha funciona como termômetro: sinaliza dificuldades práticas de caixa e demanda respostas objetivas do Executivo e do Legislativo — um recado que pode ter efeitos nas articulações políticas e na agenda que antecede 2026.