Durante sabatina realizada pelo Correio Braziliense em 28 de julho, o presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, reafirmou posição contrária ao aborto em qualquer hipótese, incluindo casos de estupro. Segundo o dirigente, interromper a gravidez deve ser tratado como crime, posição que o coloca em rota de colisão com setores que defendem exceções nos códigos penais.

Avalanche acrescentou que o enfrentamento ao crime sexual exige resposta dura do Estado: defendeu penas mais rigorosas para estupradores e afirmou que esses casos demandam atuação integrada das áreas de segurança, educação e punição. O tom duro sobre segurança pode atrair parte do eleitorado conservador, mas também tende a tensionar o diálogo com eleitores moderados e grupos de defesa dos direitos reprodutivos.

No mesmo evento, o pré-candidato se colocou contra a adoção da castração química como medida preventiva, argumentando que a prática não evitaria crimes e poderia levar a atos ainda mais violentos por parte de agressores. A posição é singular: combina linha punitiva severa com rejeição a uma alternativa que ganhou apoio em debates punitivistas, o que revela uma oferta de propostas nem sempre alinhada às soluções simplistas do discurso de segurança.

O episódio projeta consequências políticas imediatas: além de reforçar a identidade conservadora de Avalanche, as afirmações sobre aborto e punição expõem riscos de desgaste e dificuldade para formar coalizões amplas em uma eventual campanha. O debate acende questões centrais sobre direitos, garantias processuais e eficácia das políticas de prevenção — temas que exigirão propostas concretas, tecnicamente fundamentadas, e não apenas retórica punitiva.