Em sabatina promovida pelo Correio Braziliense nesta terça-feira (28/7), o pré-candidato à Presidência Leonardo Avalanche (PRTB) afirmou que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro decorre de “implicância” de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Avalanche acusou diretamente ministros, citando Alexandre de Moraes, e disse que a ação do magistrado teria sido “muito covarde” ao resultar em prisões em massa após o episódio de 8 de janeiro de 2023.

O candidato também questionou o foco das investigações e defendeu que, na sua avaliação, quem deveria estar preso são os filhos do ex-presidente. Avalanche afirmou que Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro atuaram como motivadores dos atos golpistas e os chamou de “mini ditadores”, criticando a defesa pública que, segundo ele, tem sido reservada apenas ao pai e não aos apoiadores detidos.

O episódio de 8 de janeiro levou a prisões e a processos por tentativa de golpe; a detenção de Bolsonaro já foi registrada no noticiário como decorrente desse contexto. Avalanche citou nomes e episódios específicos ao cobrar que o Judiciário prendesse “quem induziu essas pessoas ao erro”, atribuindo a coordenação do movimento a Carlos Bolsonaro e ao que chamou de mobilização via redes sociais.

Politicamente, a fala de Avalanche busca se diferenciar no campo da direita: ao criticar tanto o STF quanto o clã Bolsonaro, tenta ocupar um espaço de oposição ao establishment e ao mesmo tempo descontente com o estilo de liderança familiar do ex-presidente. A estratégia pode ganhar visibilidade, mas também corre o risco de ampliar a fragmentação do eleitorado conservador e desgastar ainda mais a imagem das instituições se interpretada como tentativa de relativizar a gravidade dos atos de 2023.

No tabuleiro eleitoral, declarações que atacam ministros do Supremo e acusam publicamente lideranças políticas do mesmo campo ideológico acendem alerta sobre rupturas internas e reconfigurações potenciais rumo a 2026. Resta ver se o discurso de Avalanche terá capacidade de mobilizar eleitores além de repercussão imediata na imprensa e entre redes conservadoras.