Em sabatina promovida pelo Correio Braziliense, o pré-candidato Leonardo Avalanche (PRTB) defendeu nesta terça-feira (28/7) uma fiscalização mais incisiva de crimes praticados nas redes sociais, com foco em pedofilia, divulgação de conteúdos criminosos, misoginia e o que classificou como "fake news". Ao mesmo tempo, reafirmou compromisso com a liberdade de expressão: "sou do Brasil livre", disse, defendendo que a expressão pública seja preservada quando exercida com responsabilidade. A participação teve o apoio de entidades de auditores fiscais, conforme a organização do evento.

A proposta de Avalanche busca responder a um problema real: o ambiente digital ampliou oportunidades de violência e exploração, sobretudo contra jovens e crianças. Ele citou a suspensão de perfis de sua campanha em anos anteriores como exemplo do instrumento de moderação que, em tese, poderia ser empregado para combater conteúdos ilegais. Mas o argumento expõe um ponto central do debate público: quem decide o que é crime digital e com que critérios? A simples ênfase em alvos legítimos — pedofilia e crimes violentos — não elimina a necessidade de procedimentos claros, garantias processuais e limites legais que evitem arbitrariedades.

Do ponto de vista institucional, a proposta de integrar Polícia Federal e polícias civis ao acompanhamento online aumenta o desafio. Maior atuação das forças de segurança pode melhorar investigações transnacionais, mas também tende a concentrar atribuições e a elevar a pressão sobre plataformas e cidadãos. Sem marcos regulatórios bem definidos, risco e consequência política são claros: medidas percebidas como censura administrativa podem desgastar a imagem do proponente junto a eleitores sensíveis a liberdades civis e abrir terreno para críticas de excessiva intervenção estatal.

Politicamente, a defesa de fiscalização seletiva tenta conciliar segurança pública com discurso liberal sobre liberdade — uma combinação que pode render no debate com eleitores preocupados com ordem e proteção familiar. Ainda assim, a operacionalização desta agenda será o eixo decisivo: transparência, critérios técnicos, participação do Judiciário e canais de recurso públicos são condicionantes para evitar custos reputacionais e institucionais. A proposta de Avalanche, portanto, entra no centro do debate sobre como equilibrar proteção e direitos na era digital, um tema que tende a ganhar espaço na disputa eleitoral.