O pré-candidato do PRTB Leonardo Avalanche declarou que distribuir iPhones em massa é uma medida viável e que os aparelhos poderiam ser adquiridos com recursos atualmente destinados à publicidade do governo federal. Segundo o dirigente, seria possível comprar "quase um bilhão" de unidades com essa realocação orçamentária.

A proposta, além da capacidade de atrair atenção, coloca questões centrais de responsabilidade fiscal e prioridade pública. Redirecionar verbas de publicidade — destinadas formalmente à comunicação institucional — para a compra de bens de consumo transforma uma rubrica orçamentária em instrumento de política social com claros efeitos distributivos e simbólicos.

Do ponto de vista técnico e jurídico, a ideia enfrenta obstáculos práticos: contratos e processos de licitação, critérios de elegibilidade dos beneficiários, custo logístico da distribuição e regras sobre destinação de recursos públicos. Especialistas consultados por veículos do setor têm apontado que tal operação pode acionar questionamentos sobre finalidade da despesa e controle externo, com potencial para judicialização.

Politicamente, a proposta acende alerta entre observadores: ao prometer bens de alto valor unitário, Avalanche arrisca ampliar desgaste sobre prioridades e eficiência governamental e complica a narrativa oficial sobre responsabilidade fiscal. Em ano pré-eleitoral, medidas de forte apelo imediatista tendem a gerar debate sobre sustentabilidade e custo político para quem as defende.

A iniciativa ainda carece de plano detalhado e estimativa fiscal robusta. Sem apresentação de fontes, cronograma e mecanismo de execução, a afirmação permanece como promessa de campanha — um retrato do que o candidato propõe, mas com várias interrogações sobre sua viabilidade prática e consequências institucionais.