Em sabatina promovida pelo Correio Braziliense em Brasília, o pré-candidato Leonardo Avalanche defendeu a substituição do modelo atual de jornada por um sistema de remuneração por hora e voltou a criticar a proposta de reduzir a jornada 6x1 sem mexer na carga tributária. Segundo o presidenciável, a combinação de menor jornada com o atual regime de tributos elevaria custos e poderia comprometer a sobrevivência de empresas.

Avalanche também apresentou a ideia de um imposto único de 3,5%, que, afirmou, reduziria a sonegação, diminuiria a corrupção e faria a arrecadação federal crescer substancialmente. Trata-se de uma promessa de forte impacto político: se transformar esse ponto em eixo de campanha, será preciso apresentar a base técnica e as simulações fiscais que expliquem como uma alíquota tão baixa alcançaria os ganhos anunciados.

Na área trabalhista, o pré-candidato propõe que direitos como férias e 13º sejam recalibrados para um modelo de pagamento por hora e criticou o papel do Tribunal Superior do Trabalho, alegando que a legislação e a Justiça do Trabalho frequentemente penalizam empresas. A proposta confronta a lógica de proteção social vigente e tende a provocar resistência de sindicatos, juristas trabalhistas e parte do eleitorado que vê direitos consolidados como garantias essenciais.

Ao relacionar educação e empreendedorismo, Avalanche defendeu formação voltada à criação de negócios e capacitação em novas profissões digitais, além de alertar para os efeitos da inteligência artificial no mercado de trabalho. A mensagem dialoga com jovens e setores pró-inovação, mas impõe um desafio: conciliar incentivo à flexibilidade produtiva com manutenção de redes de proteção para trabalhadores vulneráveis.

No plano político, as propostas compõem um discurso liberal-conservador mais radical sobre trabalho e tributos. Elas podem ganhar tração entre eleitores insatisfeitos com a carga tributária e da máquina pública, mas também complicam a narrativa em torno de proteção social e exigirão detalhamento técnico e costura política para evitar desgaste com empresários, magistratura trabalhista e parte do eleitorado tradicional.