O pré-candidato à Presidência Leonardo Avalanche (PRTB) incluiu em seu plano de governo a promessa de entregar um iPhone de última geração e um ano de internet gratuita a brasileiros que concluírem um curso de empreendedorismo. O documento, apresentado após o anúncio formal da pré-candidatura em 14 de julho, defende a iniciativa como forma de inserir cidadãos na "economia digital" e gerar fontes de renda, garantindo ainda que quem aderir não perderá o Bolsa Família.
A proposta, batizada no material como "iPhone para Todo Brasileiro", traz exemplos de aplicação — desde microempreendedores que vendem bolos até jovens que atuam com tráfego pago —, mas não apresenta cálculos, estudos de custo, critérios de elegibilidade ou especificações do curso exigido. O plano também sugere substituir contratos milionários de propaganda do governo por distribuição de aparelhos, sem detalhar quantos celulares seriam necessários nem como evitar fraudes ou desvios. A ausência de dados técnicos e previsão orçamentária acende alerta sobre a viabilidade administrativa e fiscal da ideia.
Politicamente, a iniciativa tem dupla face: busca visibilidade para uma pré-candidatura que ainda não pontua nas pesquisas — Avalanche não apareceu na rodada do Datafolha divulgada nesta sexta-feira —, mas corre o risco de ser vista como promessa populista sem sustentação prática. O histórico recente do PRTB, marcado pela candidatura de Pablo Marçal em 2024 e por reportagens que ligaram dirigentes do partido a investigações criminais, adiciona desgaste à imagem da sigla. Veículos como o Estadão noticiaram o indiciamento de um dirigente da legenda em São Paulo, e um áudio publicado pela Folha de S.Paulo sugeriu que Avalanche teria admitido vínculos com a facção; o candidato nega que a voz seja a dele — fatos que complicam a narrativa pública e a confiança necessária para um programa de distribuição massiva de bens.
Em vez de slogans, medidas desse porte exigem estimativas orçamentárias, critérios de governança e avaliação de impactos socioeconômicos. Sem esses elementos, a proposta de Avalanche aumenta a dúvida sobre responsabilidade fiscal e abre espaço para questionamentos sobre seu custo político: prometer tecnologia como ferramenta de inclusão é plausível, mas prometer aparelhos sem explicar a fonte de recursos e o modelo de execução pode virar ônus para quem anuncia. A campanha terá de detalhar modelo, metas e mecanismos de controle se quiser transformar a ideia em política pública crível.