O Avante oficializou nesta segunda-feira (3) a candidatura do escritor e psiquiatra Augusto Cury à Presidência durante convenção nacional realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O partido formalizou o nome na reta final do calendário de convenções, com o encerramento previsto para 5 de agosto, e ainda não definiu candidato a vice, deixando a chapa incompleta no momento em que as negociações partidárias aceleram.

No discurso aos filiados, Cury defendeu a adoção do semipresidencialismo: proposta que deslocaria a condução cotidiana do governo para um primeiro‑ministro, enquanto o presidente manteria atribuições estratégicas. Trata‑se de uma mudança institucional relevante que, se posta como bandeira de campanha, exigirá articulação política e detalhamento programático para passar do diagnóstico à proposta viável.

Cury também comentou que as conversas com o candidato do Novo, Romeu Zema, não avançaram, e que a hipótese de aliança está praticamente descartada. A falta de acordo com potenciais parceiros aumenta a incerteza sobre a competitividade da candidatura e reduz o alcance eleitoral da sigla, num momento em que composições de chapa e coligações são decisivas para capilaridade e recursos de campanha.

Com prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto, a oficialização tardia e a ausência de vice colocam o Avante em posição de pressão: resta pouco tempo para fechar acordos, montar a estrutura de campanha e transformar uma proposta institucional — como o semipresidencialismo — em agenda capaz de disputar espaço no debate nacional.