O Avante oficializou nesta segunda-feira (3/8), em São Paulo, a candidatura do psiquiatra e escritor Augusto Cury à Presidência da República. Aos 67 anos, Cury vai à disputa pela primeira vez e colocou no centro do discurso a promessa de pôr fim à polarização entre direita e esquerda por meio do que chamou de “choque de lucidez”. Entre as propostas anunciadas estão a responsabilização das redes sociais por conteúdos de terceiros, escolas de empreendedorismo, combate à violência contra as mulheres e a ideia de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato ainda não definiu vice; a decisão precisa ocorrer até 15 de agosto, prazo final para registro.
A convenção teve presença de nomes relevantes do cenário paulista: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o presidente nacional do Avante, Luiz Tibé (MG), e o presidente da Alesp, André do Prado (PL). A participação de Tarcísio — que já declarou apoio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial — expõe uma tensão óbvia: a presença de lideranças com compromissos eleitorais distintos limita o alcance político do lançamento e sugere que o evento serviu mais para afirmação local do que para costurar uma base nacional consolidada.
Na esteira do lançamento, Cury tentou ampliar jogo ao enviar uma carta a Romeu Zema (Novo propondo uma chapa única), movimento que segundo o candidato gerou 'empolgação' entre as partes. No entanto, ambos já anunciaram candidaturas, o que torna a aliança improvável no curto prazo. O gesto revela, ainda assim, uma tentativa explícita de buscar atalhos para ampliar relevância e captar espaço entre eleitores moderados desencantados com a polarização — estratégia que depende, contudo, da capacidade do Avante de montar estrutura e tempo de TV suficientes até as convenções e o prazo de registro.
Politicamente, a postulação de Cury representa duas leituras: por um lado, amplia a fragmentação do centro e do centro-direita, o que pode redistribuir votos em um cenário já competitivo; por outro, tem potencial limitado por questões práticas — partido de menor porte, candidato sem trajetória eleitoral e prazo apertado para organizar campanha. Se o objetivo for pautar temas como educação empreendedora e regulação de redes sociais, a candidatura pode cumprir papel de agenda setter. Se a meta for disputar trajetórias competitivas, o cenário exige velocidade na montagem de alianças e na medição de desempenho nas próximas pesquisas, capazes de transformar um lançamento simbólico em força eleitoral real.