O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado anunciou a incorporação do diplomata Roberto Azevêdo à sua campanha para liderar a área de relações internacionais e comércio exterior. Diplomata de carreira, formado pelo Instituto Rio Branco e engenheiro elétrico pela UnB, Azevêdo foi o primeiro latino-americano a chefiar a Organização Mundial do Comércio (OMC), cargo para o qual foi reconduzido por consenso em 2017. A nomeação busca agregar know‑how técnico em um tema que voltou a ganhar centralidade no debate público.

Nos últimos meses, Azevêdo atuou em apoio ao setor industrial brasileiro nas negociações sobre o chamado 'tarifaço' dos Estados Unidos, colaborando com estratégias diante do Departamento de Comércio norte‑americano. Na campanha, ele também colaborou na formulação de diretrizes do plano de governo coordenado por Roberto Brant. A movimentação integra a montagem gradual da estrutura eleitoral de Caiado, que terá Gilberto Kassab como vice e reúne nomes como Aldo Rebelo e Arnaldo Jardim na coordenação política e de articulação.

Politicamente, a escolha cumpre duas funções claras: reforçar a credencial técnica da campanha em comércio internacional e oferecer resposta ao discurso de diplomacia mais politizada que Caiado critica. Em tom calculado, a aposta usa a experiência de Azevêdo para atrair eleitores empresariais e setores produtivos preocupados com tarifas e barreiras comerciais, ao mesmo tempo em que tenta ocupar espaço no debate sobre segurança jurídica e previsibilidade nas relações externas.

O desafio, porém, é traduzir autoridade técnica em ganho eleitoral efetivo. Em um cenário polarizado, a presença de um nome de peso na pauta externa dá conteúdo à plataforma, mas dificilmente romperá, por si só, a dinâmica de polarização entre candidaturas maiores. Para a campanha, resta demonstrar que políticas externas e de comércio propostas são compatíveis com uma agenda econômica liberal e sustentável, e que podem ser comunicadas com clareza ao eleitorado além do universo técnico.