O relator da PEC que acaba com a escala 6x1, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que apresentará requerimento para abrir um rito especial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com o objetivo de acelerar a tramitação da proposta. Segundo Aziz, a ideia é eliminar interstícios regimentais para que, se aprovada na CCJ, a matéria possa ser levada ao plenário em regime de urgência, inclusive com possibilidade de votar primeiro e segundo turnos em cronograma concentrado.
A estratégia foi discutida em reunião com a liderança do governo no Senado e no Congresso e com o presidente da CCJ, conforme informou o relator, mas ainda não há sinal claro do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de que dará sequência ao pedido. Sem o aval formal da Mesa, o pedido de calendário especial fica condicionado à vontade do comando da Casa, o que adiciona incerteza ao cronograma pretendido pela bancada favorável à PEC.
Aziz sustenta que a proposta atinge 37 milhões de trabalhadores e cerca de 20 milhões de mulheres, muitas em jornadas duplas, e por isso defende a mudança como medida de proteção social. O relator também disse ter ouvido representantes dos setores de comércio, serviços, educação e comunicação, mas reiterou que não pretende alterar o texto aprovado pela Câmara para evitar que a proposta retorne aos deputados.
No plano procedimental, a PEC exige quórum de três quintos do Senado — pelo menos 49 votos — em dois turnos de votação. A expectativa de acelerar tudo em um calendário especial confronta duas variáveis críticas: a resistência anunciada da oposição, que promete obstrução, e a necessidade de articulação para alcançar a larga maioria exigida. Se a obstrução for efetiva, a proposta pode ficar travada e forçar negociações ou concessões posteriores.
Do ponto de vista político e institucional, a tentativa de encurtar prazos amplia o custo político da operação: exige mobilização intensa de aliados e aumenta a exposição do governo e dos líderes sobre um tema sensível para empregadores e setores com jornadas atípicas. A decisão de não mexer no texto da Câmara evita retrabalho legislativo, mas abre a porta para projetos complementares ou emendas posteriores que tratem de exceções, caso a proposta avance.