A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira (23/9) uma nova peça eleitoral que usa uma versão autorizada por Bad Bunny da faixa Lo Que Le Pasó a Hawaii, do álbum Debí TiRAR MáS FOToS, premiado com o Grammy. A iniciativa marca mais uma aposta do Palácio em elementos culturais internacionais para reforçar uma mensagem política central da campanha.

No vídeo, a canção ganha letra adaptada para focar em temas de território, recursos naturais e defesa da bandeira nacional, enquanto imagens relacionam apoiadores de Jair Bolsonaro a símbolos dos Estados Unidos e à política americana. A abertura ficou por conta do ator Wagner Moura, que faz uma introdução sobre a origem do sobrenome Silva para contextualizar a construção da identidade brasileira — um mote que a peça busca transformar em argumento eleitoral.

O uso de Bad Bunny, artista que em outras ocasiões pautou debates sobre identidade porto-riquenha e criticou políticas dos EUA, dá à peça um duplo efeito: cultural e político. Culturalmente, conecta a campanha a um discurso latino-americano de soberania; politicamente, procura desgastar adversários ao vincular inquietações sobre influência externa a figuras do campo oposto. A estratégia amplia o tema tratado por Lula na Assembleia-Geral da ONU e complica a narrativa da rivalidade ao transformar uma questão geopolítica em ponto de ataque doméstico.

A peça tende a gerar reação imediata no campo adversário e a polarizar ainda mais o debate sobre autonomia e parcerias internacionais. Para a campanha, é uma tentativa de traduzir em linguagem pop uma pauta estratégica; para a oposição, será um desafio desassociar a imagem de aproximação com Estados Unidos do discurso eleitoral. No curto prazo, a ação deve acender um novo foco de disputa sobre soberania, identidade e influência externa na campanha.