Entre fevereiro de 2023 e junho de 2026 a bancada federal do Distrito Federal protocolou 694 propostas na Câmara dos Deputados — 3,59% do total de mais de 19,300 projetos apresentados no período. Apesar do volume, o retorno legislativo foi pequeno: apenas seis dessas iniciativas foram sancionadas, e somente três medidas foram aprovadas sem coautoria, segundo levantamento do Correio. O quadro deixa claro que quantidade não é sinônimo de influência parlamentar.
A distribuição de autores mostra perfis e estratégias distintas: Alberto Fraga (PL) liderou com 187 proposições, seguido por Fred Linhares (Republicanos) com 112 e Erika Kokay (PT) com 78. Mas números de protocolo pouco dizem sobre eficácia. A maioria das propostas da bancada estacionou em comissões e nunca chegou a votações decisivas, o que transforma a rotina legislativa em uma disputa de articulação e negociação — não apenas de iniciativa individual.
Casos concretos ilustram o ritmo e a dependência de articulação externa. O projeto apresentado por Bia Kicis para pacientes com dor crônica foi transformado na Lei nº 15.422 apenas depois de mais de 800 dias desde a apresentação, o que evidencia a lentidão do processo. Em outro exemplo, o PL 1803/2023 do deputado Rafael Prudente, apoiado tecnicamente pelo Tribunal de Justiça do DF, levou 420 dias até virar a Lei 14.879/2024, graças a negociações e ao envolvimento institucional. Esses exemplos reforçam que tramitação eficaz costuma depender de diálogo e de apoio organizacional.
Mudanças na composição da bancada — com saídas e retornos de titulares ao longo da legislatura — também complicaram a agenda coletiva. O saldo político é evidente: alto número de projetos, baixa taxa de conversão e prazos longos expõem limitações operacionais e estratégicas da bancada do DF. Para ampliar impacto real, deputados precisam priorizar pautas com viabilidade, fortalecer articulação transversal e buscar apoio técnico-institucional. Sem isso, a produção legislativa corre o risco de permanecer mais simbólica do que efetiva.