O tenente‑brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior reagiu neste sábado à sugestão do senador Flávio Bolsonaro de que estaria pedindo votos para o ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação na rede social X, o ex‑comandante rejeitou a imputação e avaliou que a declaração teve caráter leviano, usada sobretudo para escapar de uma pergunta dirigida ao candidato durante a sabatina na Globo.

A pergunta em questão dizia respeito aos depoimentos de ex‑comandantes das Forças Armadas sobre pressões e propostas de medidas de exceção no final do governo de 2022. Baptista foi um dos militares que, em relatos ao Supremo Tribunal Federal e à imprensa, afirmou ter resistido a tentativas de envolvimento institucional na crise. Segundo o ex‑comandante, transformar esses relatos em uma acusação de campanha é desviar o foco do tema central.

Baptista ainda sugeriu que Flávio aguardasse a publicação de seu livro — Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista — antes de emitir novas avaliações sobre sua atuação naquele período. Ele também endereçou uma alfinetada ao coordenador de campanha do senador, numa referência a declarações recentes que, na leitura do ex‑comandante, buscam domesticar dissensos dentro da direita.

Do ponto de vista político, a troca expõe duas consequências: a dificuldade de Flávio em responder substantivamente às perguntas sobre a crise institucional de 2022 e a disposição de militares que testemunharam contra a tentativa de ruptura em manter a narrativa pública. O episódio alimenta o debate sobre responsabilidade das Forças Armadas na crise e tende a permanecer como peça de atração na campanha e no julgamento público sobre os fatos.