Deputados da base governista reagiram, nesta quarta-feira (2/9), à ausência do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que analisou a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Integrantes do bloco disseram entender que a falta do parlamentar não foi casual, mas relacionada ao caráter sensível da matéria.
Ao Correio, o deputado Alencar Santana (PT-SP) sugeriu que Flávio evita registrar posição em tema que o colocaria claramente contra a mudança na jornada. Nos bastidores, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) também interpretou as ausências como tentativa de escapar do desgaste que uma votação pública poderia provocar à oposição.
A proposta passou a ser tratada como prioridade pela base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso, e governistas decidiram usar a tramitação para forçar integrantes da oposição a se manifestarem. No cálculo político da base, forçar o registro de votos expõe contradições e amplia o custo de resistir à mudança, especialmente em ano de campanha.
O episódio deixa claro que a disputa sobre a 6x1 ganhou dimensão eleitoral: além do mérito técnico, a votação funciona como instrumento de pressão e de identificação de posicionamentos na corrida presidencial. Para a oposição, omitir-se pode evitar um confronto imediato, mas também representa risco de desgaste narrativo e perda de terreno diante de eleitores sensíveis ao tema.