Um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, avançou para além do bloco tradicional da oposição ao reunir 20 assinaturas, entre elas de parlamentares de partidos que hoje sustentam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Figuras como Jorge Kajuru (PSB-GO) e Leila Barros (PDT-DF) aparecem na lista protocolada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), sinalizando que a iniciativa ganhou caráter mais amplo no Senado.

O documento acusa Moraes de crime de responsabilidade e aponta possíveis conflitos de interesses no chamado caso Banco Master. Entre os elementos apresentados está a relação profissional do escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro — com o banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido detalha um contrato de janeiro de 2024 que, segundo os autores, previa pagamentos líquidos de R$ 3 milhões mensais por 36 meses, com valor bruto superior a R$ 131 milhões, além de citar metadados e mensagens associadas ao telefone de Vorcaro.

Ao levar o pedido para o corredor central do Senado, os signatários buscam transformar uma pauta até então concentrada na oposição em pressão política que atravessa blocos partidários. O próprio autor da iniciativa admitiu a dificuldade para avançar com o processo diante da presidência de Davi Alcolumbre, responsável por despachar pedidos dessa natureza, mas justificou a apresentação como um esforço técnico e persistente para apurar as alegações.

Na prática, a adesão de senadores da base tem potencial para complicar a narrativa oficial do governo e forçar recalibrações entre aliados: gera desconforto institucional e amplia o custo político em torno do tema. Resta ver se Alcolumbre dará seguimento ao caso e se a tramitação conseguirá transformar as suspeitas apontadas no documento em investigação formal pelo Senado.