O julgamento no Supremo que discutia a possibilidade de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes ficou marcado por episódios fora da formalidade das sustentações: cochichos, conversas reservadas, um bilhete entregue no plenário e a retirada de voto pelo ministro Flávio Dino, que pediu vista e suspendeu a análise conjunta dos casos envolvendo Moraes e André Mendonça. As trocas de argumento sobre o caso Master e as mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro moldaram o pano de fundo da sessão.

A rotina no plenário destoou do que se espera de uma sessão pública. O acesso da imprensa foi restringido, celulares e notebooks foram proibidos para repórteres presentes, e apenas fotógrafos da Corte puderam registrar imagens. Mesmo assim, havia cadeiras vazias. Moraes manteve silêncio por cerca de duas horas antes de se envolver mais nos debates; ministros consultavam celulares e trocavam impressões em voz baixa, em contraste com a lisura das falas gravadas na transmissão oficial.

Houve momentos de tensão direta entre ministros: um episódio envolveu o gesto de um colega apontando o dedo e a reação imediata do outro, que exigiu que o gesto fosse contido. Em outro momento, André Mendonça escreveu um bilhete que foi entregue a Dias Toffoli; o presidente do TSE leu o papel mais de uma vez e guardou-o no bolso. Ainda assim, a sessão mostrou também gestos de conciliação: Flávio Dino e o presidente do STF se abraçaram durante uma conversa reservada, e, na saída, houve cumprimentos entre magistrados. O contraste entre confronto público e gestos privados chama atenção.

Do ponto de vista institucional, a cena acende alerta sobre desgaste e complica a narrativa oficial de normalidade na Corte. A interrupção por pedido de vista adia decisões relevantes e mantém incerteza sobre como o tribunal vai tratar conflitos internos e suspeições de magistrados. A combinação de limitação de transparência para a imprensa e episódios de confronto público reforça a necessidade de clareza sobre procedimentos e regras de impedimento para preservar a legitimidade do Supremo.