A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) compartilhou nas redes, neste domingo, imagens da pré-estreia do documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O vídeo, publicado pela vereadora Marina Braga (PL-SP), registra a exibição realizada no sábado (18/4) e shows de apoio de militantes na sala de cinema, que chegaram a entoar pedidos pela volta de Bolsonaro ao cenário político.

O longa, dirigido por Doriel Francisco e com estreia oficial marcada para 14 de maio, foi divulgado com empenho pela ala bolsonarista. Além de apoiadores comuns, a sessão atraiu caciques do PL: o pré-candidato Flávio Bolsonaro tem promovido o filme, e o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que a obra deve integrar a pré-campanha — inclusive com projeções em locais públicos no Rio de Janeiro.

A articulação levanta dúvidas jurídicas imediatas. Em ano eleitoral, a circulação deliberada de material favorable a pré-candidatos, sobretudo em espaços públicos, pode ser questionada por adversários e pela Justiça Eleitoral. A situação ganha contornos sensíveis diante da inelegibilidade e da condenação que afastaram Jair Bolsonaro da disputa: ele cumpre pena, considerada no material-base, e a estratégia do PL agora concentra-se em Flávio após a mudança de rumo imposta pela situação do pai.

Politicamente, o episódio acende alerta para o PL. O uso do documentário pode energizar a base, mas também complica a narrativa pública do partido, expondo aliados a questionamentos jurídicos e a eventuais custos políticos. Para uma campanha que busca ampliar palanque além do núcleo duro, a aposta em exibições fechadas e em linguagem de militância tende a consolidar apoio interno, sem garantir conversão junto a eleitores indecisos — e pode ainda abrir margem para impugnações e embates institucionais no período pré-eleitoral.