Durante a convenção do Partido Liberal no Distrito Federal, realizada neste domingo (2/8), a deputada federal Bia Kicis afirmou que a futura bancada conservadora no Senado terá como prioridade apresentar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal que, em sua avaliação, não respeitarem a Constituição. Kicis sustentou que decisões de conteúdo político devem ser tomadas por representantes eleitos, rejeitando o que chamou de sobreposição do Judiciário à vontade popular.
Além do alvo no STF, a deputada incluiu na agenda a defesa da anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro e o trabalho pela "libertação" do ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia faz parte de um movimento maior do PL para ampliar a representação da direita no Senado a partir de 2027, segundo a própria legenda. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou a meta de chegar a 28 senadores combinando mandatos em curso e novas cadeiras.
A convenção também lançou oficialmente Michelle Bolsonaro como candidata ao Senado pelo Distrito Federal. A ex-primeira-dama não esteve presente por estar internada em razão de crises de enxaqueca; uma carta sua foi lida por Diego Torres, seu irmão, que foi anunciado como primeiro suplente da chapa.
Do ponto de vista político e institucional, a opção declarada de buscar impeachments reacende a disputa entre Legislativo e Judiciário e acende alerta sobre o risco de maior polarização. Impeachments de ministros exigem maioria qualificada no Congresso e podem aprofundar um quadro de confronto jurídico-político, testando alianças e a capacidade do Senado de transformar retórica em processo formal. Para o PL, a aposta é mobilizar a base e redimensionar a relação entre os Poderes; para o país, aumenta a incerteza sobre repercussões legais e políticas dessa ofensiva.