O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) foi à ofensiva nesta quinta-feira contra o ex-governador Romeu Zema, após a declaração do pré-candidato ao Planalto que classificou como “imperdoável” o áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro. Em vídeo nas redes sociais, Bilynskyj acusou Zema de hipocrisia e cobrou esclarecimentos sobre uma doação de R$ 1 milhão feita pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao partido Novo em Minas Gerais.

A troca de farpas expõe um novo desgaste na direita, ao transformar uma crítica pública ao conteúdo do áudio — divulgado no contexto das investigações sobre o Banco Master — em um ponto de disputa pelo espaço político para 2026. Integrantes do PL interpretam o recado de Zema como distanciamento estratégico do bolsonarismo, e a reação de aliados de Flávio funciona como tentativa de neutralizar esse movimento.

No cerne da disputa está a narrativa pública: para o PL, questionar captação privada de recursos para obras ou produções ligadas a bolsonaristas, enquanto se aceita ou recebe doações de mesmo origem, gera incoerência política e combustível para confrontos intrabloco. Bilynskyj exige que Zema explique a relação com Vorcaro, pressionando o ex-governador a responder para não ver sua imagem desgastada diante do eleitorado conservador.

A ofensiva tem efeito imediato na cena política: além de acirrar a competição por espaço entre nomes da direita, aumenta a necessidade de posicionamento claro por parte de líderes moderados e alinhados ao centro-direita. O episódio mostra como denúncias e investigações recentes podem reconfigurar alianças, tornando a gestão de sinais públicos tão relevante quanto a estratégia eleitoral.