O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), tem enfrentado reação intensa de perfis bolsonaristas nas redes sociais após adotar posicionamentos que aliados da extrema direita classificam como ‘traidores’. A insatisfação se cristalizou depois de publicações em que ele aparece ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e ao prestar solidariedade a uma deputada eleita do PT alvo de ameaças.

No vídeo com Alcolumbre, Cleitinho anuncia que a proposta de fim da escala 6x1 será pautada no Senado — pauta também apoiada pelo presidente Lula — e defende a alteração. A proximidade com o senador federal, figura criticada por setores da direita por não pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF, provocou comentários dizendo que o gesto seria incompatível com a expectativa do eleitor que apoiou sua candidatura alinhada à direita.

Além disso, a manifestação pública de solidariedade a Ana Elisa, deputada eleita por Minas que recebeu ameaças, foi interpretada por perfis bolsonaristas como sinal de mudança de posição ideológica. Esses movimentos têm sido traduzidos nas redes em mensagens duras, com acusações de oportunismo e de “virar a casaca”, o que indica perda de simpatia de parte da base que deu sustentação ao seu projeto eleitoral.

Politicamente, a reação expõe um dilema esperado de governantes que optam por uma postura independente: a tentativa de ampliar uma agenda pragmática pode custar capital político junto a eleitores mais ligados à polarização. Para Cleitinho, o desafio será reagrupar apoio sem abrir mão da autonomia que tem defendido — tarefa que passa por comunicação clara sobre prioridades de governo e habilidade para manter alianças regionais e nacionais.

O episódio acende alerta para a transição em Minas: se a tendência de desgaste junto à direita se mantiver, poderá dificultar costuras em torno de temas sensíveis e ampliar ruídos com aliados do Palácio. A sinalização nas redes aponta para pressão sobre o governador eleito, que terá de equilibrar independência e fidelidade eleitoral para não ver comprometida sua governabilidade.