A entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao jornal americano The New York Times provocou uma onda de críticas de apoiadores nas redes sociais. Bolsonaristas passaram a classificar o veículo como "esquerdista" e atacaram pessoalmente a jornalista que assinou a reportagem, Ana Ionova.

Na publicação em que divulgou o texto no Instagram, Ionova recebeu comentários ofensivos e repetidos; após a reação, a jornalista apagou o compartilhamento do feed. No X, ex-Twitter, postagens de seguidores também desqualificaram a matéria e questionaram a decisão do senador de falar com o jornal.

Que falta de profissionalismo da @anaionova... Não consegue separar militância da profissão? Rasga o diploma!

No encontro com o NYT, em Miami, Flávio se recusou a detalhar como deixou o Brasil: "Como eu cheguei aqui, vou levar isso para o túmulo", disse. Ele afirmou ter organizado a viagem sozinho: "Fui eu. Não teve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo". Segundo o jornal, porém, autoridades dos EUA atribuem parte da logística a um integrante da Casa Branca e afirmam que a entrada foi autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump; assessores de Javier Milei também teriam participado da recepção em aeroportos na rota.

Investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, o senador reiterou sua inocência e afirmou temer que, se permanecesse no país, seria preso: "Já sei que o desfecho vai ser a minha prisão". A repercussão nas redes concentra-se tanto na versão de Flávio quanto na crítica ao veículo estrangeiro e à profissional que assinou a reportagem.