Mesmo com parte da bancada bolsonarista mais retraída após a divulgação dos áudios que envolvem o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, deputados e senadores aliados partiram para uma reação coordenada: defender o pré-candidato e elevar a cobrança por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a apurar as operações do Banco Master. O episódio, segundo líderes do PL, não seria apenas uma defesa pessoal, mas a abertura de uma frente política contra o que chamam de relações opacas entre a instituição e atores políticos.

O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) sustentou que o conteúdo vazado reforça a necessidade de investigação e acusou parlamentares vinculados ao governo de tentar impedir a criação da comissão. Valadares também relativizou o pedido de captação de recursos privados para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, comparando-o a patrocínios comuns no mercado privado e anunciando um requerimento para auditar repasses culturais feitos por estatais.

Na mesma linha, o deputado Coronel Tadeu (PL-SP) afirmou que não há irregularidade em buscar patrocínio privado para projeto privado e classificou as reações da esquerda como tentativa de desgastar a pré-candidatura de Flávio. O tom defensivo da bancada conservadora inclui contra-ataques ao governo Lula, questionamentos sobre patrocínios públicos a projetos culturais e a promessa de ampliar a pressão parlamentar até obter a instalação da CPMI.

A ofensiva bolsonarista acende alerta sobre o risco de escalada política: transformar a crise em instrumento para forçar uma investigação parlamentar pode aumentar o desgaste institucional e aprofundar a divisão entre aliados, especialmente após críticas internas ao caso. A disputa pela CPMI tende a ser campo de confronto direto entre oposição e governo, com potencial de arrastar pra 2026 o debate sobre financiamento político e transparência no patrocínio cultural.