Ao depor à Polícia Civil do Distrito Federal no inquérito sobre a pistola apreendida em uma blitz em Taguatinga, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que não houve, em nenhum momento, intenção de descumprir a lei. Acompanhado por seu advogado, ele disse ter solicitado a um militar ajuda para consertar o armamento após constatar que a arma não funcionava.
A defesa reiterou que a pistola é de propriedade do ex-presidente, que estava registrada, e sustentou que, na ausência de determinação administrativa para cancelar o registro, o armamento deveria permanecer no endereço de Bolsonaro. O advogado afirmou ainda que o ex-presidente já havia prestado esclarecimentos por escrito ao ministro Alexandre de Moraes.
A arma e um carregador sobressalente foram apreendidos em 15 de junho, quando o veículo foi parado no bloqueio. O motorista disse à polícia que a arma havia sido entregue a ele devido a uma pane. Ao intimar a defesa, Moraes questionou o porquê do pedido de reparo às vésperas do encerramento do período de 90 dias da prisão domiciliar humanitária — fato que coloca o episódio sob escrutínio.
Além do aspecto jurídico, o episódio tem impacto político e institucional: o questionamento sobre o timing acende alerta e complica a narrativa da plena conformidade com as medidas determinadas pela Justiça. Moraes deve decidir em breve se mantém a prisão domiciliar; qualquer mudança terá reflexos imediatos na arena política e na estratégia da defesa. Trata‑se, neste momento, de um retrato do caso, não de previsão de desfecho.