O ex-presidente Jair Bolsonaro presta depoimento nesta terça-feira sobre a apreensão de uma pistola durante uma abordagem policial no Pistão Norte, em Taguatinga (DF). A oitiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e está marcada para as 15h, na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária desde 27 de março, após internação por broncopneumonia.

O armamento foi encontrado no interior de um Honda Civic parado em blitz policial, na noite de 15 de junho, junto com um carregador sobressalente. Segundo a investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, o motorista — que se identificou como servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) — afirmou que a arma pertencia ao ex-presidente e havia sido entregue para conserto. A defesa formalizou que o dispositivo estaria inoperante, com peça removida por auxiliares, e justificou o pedido de reparo.

A Polícia Civil informou que tentou intimar Bolsonaro em 17 de junho, mas que a diligência não foi cumprida porque a equipe de segurança impediu a notificação. Em decisão da última sexta-feira, Moraes também determinou prazo de 48 horas para que a defesa comunique se os agentes responsáveis pela segurança pessoal do ex-presidente são dispensados no período noturno. Os episódios colocam em evidência tensões operacionais entre a segurança do condenado e a investigação.

Para a cena política, a oitiva domiciliar e os episódios de obstrução de intimação podem ampliar o desgaste do ex-presidente, já condenado a 27 anos e três meses por liderar tentativa de golpe. Mais do que um procedimento policial, o caso gera implicações institucionais ao testar a capacidade das autoridades de executar diligências contra alguém com segurança reforçada, num momento em que se aproxima o fim do prazo da prisão domiciliar, previsto para 25 de junho.