O ex‑presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal no inquérito que apura a apreensão de uma pistola Glock 9mm em uma blitz em Taguatinga, realizada em 15 de junho. Na abordagem também foi encontrado um carregador sobressalente; o motorista que conduzia o veículo disse que a arma lhe havia sido entregue por causa de uma pane.
Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, que acompanhou o depoimento na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, o ex‑presidente afirmou que não houve intenção de descumprir a lei e que solicitou a um militar auxílio para consertar a arma após constatar que ela não funcionava. A defesa afirma que a pistola está registrada em nome de Bolsonaro e que não havia determinação para cancelar o registro, portanto o armamento 'deveria estar em seu endereço'.
A defesa acrescentou que já havia apresentado esclarecimentos por escrito ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Moraes havia intimado a prestar explicações e questionou especificamente 'por que às vésperas do encerramento do período de 90 dias concedidos a título de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de um reparo no armamento'. O ministro deve decidir sobre a manutenção da prisão domiciliar nesta quinta‑feira (25).
Além do aspecto criminal, o episódio ganha contorno político pelo timing e pela simbologia: pedir reparo de um armamento ligado a um condenado por tentativa de golpe, pouco antes do prazo da medida humanitária expirar, alimenta dúvidas sobre o cumprimento estrito das medidas impostas. Se Moraes entender haver irregularidade, a consequência prática pode ser a revogação da prisão domiciliar, o que ampliaria o desgaste jurídico e político do ex‑presidente.