Na esteira da derrota do Brasil para a Noruega, no domingo (6/7), o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro recorreram às redes sociais para relacionar a eliminação da Seleção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. As publicações transformaram um resultado esportivo em mensagem política, repetindo um discurso já habitual entre os bolsonaristas.

Flávio afirmou que, desde a vitória do PT em 2002, o país não teria mais conseguido conquistas relevantes no futebol — um argumento usado para sinalizar desgaste do governo. A afirmação, além de simplista, incorre em erro cronológico: a conquista do pentacampeonato ocorreu em 2002 sob o governo de Fernando Henrique Cardoso; Lula só foi eleito em outubro daquele ano e tomou posse em janeiro de 2003. A imprecisão fragiliza a crítica e expõe contradição no ataque.

Eduardo Bolsonaro reagiu em posts separados, repetindo o tom político ao lembrar um pênalti perdido por Bruno Guimarães aos 13 minutos do primeiro tempo e ao compartilhar uma imagem do pai com a Seleção em 2019. A mensagem buscou converter frustração esportiva em promessa de recuperação política, tendo como alvo central o PT e a narrativa de responsabilidade do governo pelos resultados.

Do ponto de vista político, a estratégia tem lógica para manter coesa a base e reforçar a presença dos Bolsonaros no debate público, mas traz riscos. Transformar derrota esportiva em munição eleitoral pode mobilizar apoiadores, mas tende a alienar eleitores moderados e dá margem a correções factuais que ferem a credibilidade do emissor. Em ano de pré-campanha, a opção por ataques simplistas e imprecisos revela mais sobre a tática de manutenção de narrativa do que sobre um projeto competitivo e consistente para 2026.