O ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, comemorou o acordo costurado entre o governo e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), que prevê o fim da escala 6x1 e a redução gradual da jornada para 40 horas. Pelo desenho acertado, a jornada passaria de 44 para 42 horas 60 dias após eventual sanção presidencial e alcançaria 40 horas 12 meses depois da sanção.

Boulos apresentou o cronograma como vitória para os trabalhadores e rejeitou propostas de transição de anos — como planos de 10, 5 ou 3 anos — que vinham sendo defendidos por setores empresariais. A rápida implementação anunciada tende a aliviar reivindicações da base trabalhadora, mas sinaliza conflito com associações do setor produtivo, que pleiteavam prazos mais longos para adaptação.

Politicamente, o episódio dá ao Planalto um ganho simbólico ao pautar direitos trabalhistas, enquanto amplia o campo de negociação no Congresso: bancadas e relatorias terão de conciliar pressa social e preocupações econômicas. A pressa também pode gerar pedidos de compensações ou ajustes na regulamentação, tema que deverá dominar debates nas comissões e no plenário.

O acordo, porém, depende do trâmite parlamentar: aprovação em Plenário na Câmara e no Senado e sanção presidencial. Se confirmada, a rapidez do cronograma anunciado muda a dinâmica da disputa pelo texto final e força atores públicos e privados a reagirem em prazo curto, elevando a pressão sobre deputados, senadores e empregadores.