O ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, atacou publicamente nesta quinta as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL) de que a prestação de contas do filme Dark Horse estaria 'página virada'. Em postagem no X, Boulos chamou o candidato do PL de 'cínico' e exigiu esclarecimento sobre os R$61 milhões que, segundo a troca de mensagens vazada, Flávio pediu ao então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar a produção.

Flávio respondeu que a prestação de contas já teria sido apresentada com base em uma perícia contratada pela produtora do documentário, feita por Karina Gama, e anexada ao inquérito da Polícia Civil de São Paulo. A versão do senador foi rebatida por integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Boulos é um dos coordenadores — e pelo secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, que também questionou a veracidade das alegações.

Investigações e reportagens anteriores apontaram movimentações próximas de R$75 milhões relacionadas ao longa, mas, até o momento, não há detalhamento público de recibos e notas fiscais que expliquem integralmente esses gastos. Vorcaro chegou a ser preso sob suspeita de fraude no sistema financeiro, e o episódio tem sido utilizado como peça de ataque eleitoral pela campanha do governo, que cobra transparência sobre a origem e o destino dos recursos.

Além de reafirmar pedido de explicações sobre os R$61 milhões, Flávio Bolsonaro tentou deslocar a discussão, cobrando esclarecimentos sobre supostos vínculos do presidente e do PT com Vorcaro e seu ex‑sócio Augusto Lima. O embate expõe mais uma frente de tensão entre PL e governo e amplia a pressão sobre o candidato do partido sobre temas de financiamento e prestação de contas, com potencial custo político no calor da disputa.