O ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, intensificou nesta terça-feira as críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por manter parada a proposta de emenda à Constituição que põe fim à escala de trabalho 6x1. Para Boulos, o atraso, desde a aprovação na Câmara, é uma afronta ao clamor popular e pode provocar reação social.

Boulos lembrou que a PEC teve aprovação expressiva na Câmara e é apoiada por mais de 70% da população, segundo levantamentos citados pelo governo. Argumentou que não há justificativa técnica para o projeto ficar 'na gaveta' e atribuiu a resistência tanto a pressões de setores empresariais quanto a uma condução política do Senado que privilegia interesses menores em detrimento de direitos dos trabalhadores.

O ministro criticou o discurso patronal que associa o fim do 6x1 a riscos inflacionários e perdas econômicas, classificando a mobilização como uma tentativa de barrar uma conquista social. Boulos também acusou o Senado de segurar outras pautas consideradas prioritárias pelo Executivo, como a PEC da Segurança Pública e um projeto sobre exploração de terras raras, e afirmou que o governo seguirá pressionando pela votação antes do período eleitoral.

Do ponto de vista político, a decisão de adiar a votação para após as eleições tem custo explícito: reduz o preço político de parlamentares contrários e expõe uma tensão crescente entre Executivo e Senado. Se o impasse persistir, o episódio pode ampliar desgaste para a presidência do Senado e reagrupar mobilizações em torno da pauta trabalhista, forçando uma resposta mais clara das lideranças.