O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reagiu com ironia à confirmação de Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Para Boulos, a combinação dos nomes reúne, simbolicamente, investigações ligadas à antiga prática de rachadinha e questionamentos sobre operações orçamentárias no Congresso, formando uma aliança que, na avaliação do ministro, tem alto custo político.

Boulos citou casos que pesam sobre as trajetórias dos dois: as apurações relacionadas ao período em que Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro e as suspeitas que envolvem Gaspar, como movimentações de emendas que já foram objeto de escrutínio. Ao mesmo tempo, o ministro ressaltou que acusações não anulam a presunção de inocência — um reconhecimento formal que, segundo ele, não impede o impacto político da associação.

Além do teor das investigações, o ministro atribuiu a escolha do vice a uma dificuldade prática: Flávio teria transitado por opções de coligações e nomes de peso sem sucesso, até desembocar em uma alternativa vista por Boulos como residual. A leitura produz um sinal de fragilidade eleitoral e de limitação na capacidade de formar alianças mais robustas dentro da centro-direita e do próprio bloco do PL.

Boulos também comentou questionamentos recentes sobre membros da oposição e defendeu que autoridades não devem explorar politicamente investigações em curso. No diagnóstico político, porém, a indicação de Gaspar expõe um problema concreto para a pré-campanha de Flávio: além do desgaste associado a pendências jurídicas, a escolha reforça a ideia de isolamento e complica a narrativa de amplitude e renovação que a campanha tentar impor.