O ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de revogar a cobrança conhecida como “taxa das blusinhas” corrigiu um erro que vinha prejudicando o consumo de produtos de menor valor em plataformas internacionais.

Boulos ressaltou que a taxação não foi proposta originalmente pelo Executivo, mas incluída pelo Congresso durante a tramitação de um projeto focado no combate ao contrabando. Segundo o ministro, a iniciativa enviada pela Presidência visava regular remessas de plataformas estrangeiras, sem onerar o consumidor final.

O ministro citou estudos internos que apontaram impacto negativo nas compras de baixo valor e consequência direta para os Correios. Ele também criticou grandes varejistas, acusando parte do setor de defender a taxação mesmo quando revende produtos importados, o que, segundo Boulos, revela contradição entre discurso e prática comercial.

Ao comentar a revogação, Boulos cobrou governadores sobre a manutenção do ICMS incidente nas compras internacionais e citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como responsável por decidir se os estados seguirão o mesmo caminho do governo federal. A cobrança desloca agora a pressão política aos Executivos estaduais.

Além do debate tributário, o ministro voltou a defender o envio com urgência constitucional do projeto que extingue a escala 6x1, argumentando que a medida busca impedir adiamentos na votação. Politicamente, a revogação reduz custo imediato ao Planalto, mas abre nova frente de disputa institucional com o Congresso e com os governadores.