O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta sexta-feira que seria razoável o presidente sancionar uma revogação da chamada "taxa das blusinhas", cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A declaração, dada em entrevista à televisão, reforça um desconforto público sobre a medida que já vinha crescendo entre integrantes do próprio governo.
Boulos também explicou que a iniciativa partiu do Congresso — ponto repetido por outros auxiliares — mas não apresentou justificativa para o fato de o Palácio do Planalto ter sancionado a proposta quando ela foi aprovada pela Câmara e pelo Senado. A ausência de explicação formal amplia dúvidas sobre o papel do Executivo na adoção da nova taxa.
A tensão ganhou contornos políticos ao emergirem posições opostas entre ministros: o vice-presidente Geraldo Alckmin manteve defesa da taxa, enquanto o ministro José Guimarães, responsável pelas relações institucionais, classificou a revogação como uma boa ideia. A divergência expõe falta de discurso unificado e acende alerta sobre custo político e custo de comunicação para o governo.
Para além da disputa interna, a indefinição tem efeito prático: aumenta a pressão sobre Lula para tomar uma posição clara — revogar, manter ou apresentar alternativa — e força aliados a recalibrar estratégia. A decisão não é apenas técnica; terá repercussão política imediata, afetando a narrativa do Planalto e podendo ser explorada pela oposição como sinal de descoordenação.