O ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse nesta quarta-feira que a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 é a principal prioridade legislativa do governo. Em entrevista coletiva, ele apelou diretamente à Presidência do Senado e à Mesa Diretora para que a matéria tramite sem entraves e seja encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça, onde o debate poderia avançar.

Boulos apresentou a iniciativa como resposta a uma mobilização social e ressaltou que o Executivo considera o tema amadurecido, citando estudos que, segundo o governo, permitem reduzir a jornada sem prejuízos relevantes à economia. Trata‑se, porém, de uma afirmação do Planalto: a proposta altera a Constituição, exige quóruns qualificados e depende de negociação ampla no Senado, ambiente em que argumentos econômicos e setor produtivo terão peso.

A pressão pública para acelerar a tramitação transforma a PEC também em prova política para senadores. Forçar a votação ou permitir obstruções terá efeito direto sobre a relação entre o Planalto e lideranças parlamentares, em especial no centro do Senado, e expõe quem votar favorável ou contrário a responsabilidades públicas: aceitar a pauta ou segurá‑la terá custo político imediato.

Boulos tentou relativizar eventuais divergências entre Poderes, mas a ofensiva do governo revela cálculo: transformar a proposta em prioridade obriga senadores a tomar posição e pode aumentar a pressão sobre o Congresso. Se a matéria andar, será uma vitória para a agenda social do governo; se for barrada, poderá aumentar a percepção de desgaste e complicar a articulação legislativa do Planalto.