Em audiência na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, o ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a proposta de emenda à Constituição para acabar com a escala de trabalho 6x1 pode ser aprovada em apenas um dia na próxima semana. Segundo o ministro, o presidente da CCJ, Otto Alencar, e o relator, Omar Aziz, receberam a proposta com entusiasmo, sinalizando caminho aberto na comissão.

Boulos declarou ainda que, se a matéria for votada na CCJ até segunda‑feira (31), haveria condições técnicas e políticas para levá‑la ao Plenário em sequência, e citou cálculos de aliados do governo que apontam possibilidade de votação final até sexta‑feira (4/9). A agenda revela a intenção do Planalto de transformar a pauta social em resultado concreto antes do período eleitoral.

A defesa de 'redução da escala sem redução de salário' funciona como ganho político para trabalhadores, mas levanta questões práticas: a declaração do governo não detalhou fonte de custeio nem mecanismo de compensação. Isso coloca em xeque a sustentabilidade fiscal da medida e tende a aumentar a pressão sobre senadores, que terão de conciliar apelo popular com limites orçamentários e interesses estaduais.

O movimento impõe um cronograma apertado ao Senado e testa a capacidade do Executivo de entregar a promessa sem criar novos problemas fiscais. É, ao mesmo tempo, um gesto político com potencial de colher apoio imediato e uma armadilha se o prazo não for cumprido — um retrato do momento que deve influenciar negociações e repercutir nas costuras para 2026.