O ministro da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, elevou o tom nesta quarta ao chegar à comissão especial da Câmara que debate o fim da escala 6x1. Ao cobrar uma tramitação rápida, Boulos acusou parlamentares de orientações bolsonaristas de evitar o debate e de privilegiar setores em detrimento dos trabalhadores, apresentando o projeto como defesa da família trabalhadora.
Sem aceitar qualquer período de transição para a adoção da escala 5x2 e da jornada semanal de 40 horas, o ministro argumentou que benefícios concedidos ao setor empresarial costumam vigorar imediatamente e que postergar a mudança seria protelar direitos. Boulos também minimizou alertas do empresariado sobre efeitos econômicos e informalidade, citando estudos do Ipea em apoio à tese de que a reorganização das escalas pode absorver os impactos sem provocar demissões em massa.
A ofensiva do governo acende alerta para a oposição: a cobrança pública força deputados e senadores a registrar posicionamentos claros, o que pode expor fissuras internas — inclusive no próprio PL, depois de declarações de seu presidente favoráveis a adiar a votação. A insistência na urgência transforma a proposta numa prova de força política e tende a tornar o tema parte do tabuleiro eleitoral rumo a 2026.
Do ponto de vista prático, a rejeição à transição amplia a tensão entre executivo, Congresso e setor privado. Se aprovada com eficácia imediata, a medida testará na prática os cenários econômicos apontados pelo governo e enfrentará resistência corporativa; se adiada, será sinal de recuo e custo político. De qualquer forma, a batalha na comissão promete definir quem assume o ônus político de alterar regras de trabalho num momento de sensível calendário eleitoral.