O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira que a trajetória de aquisições imobiliárias da família Bolsonaro indica uma tendência compatível com lavagem de dinheiro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele destacou que, entre 1990 e 2020, membros da família compraram 107 imóveis e que 51 dessas compras foram feitas em dinheiro vivo, o que, segundo o ministro, dificulta o rastreamento de recursos.
Boulos citou ainda casos que, na avaliação dele, mostram subfaturamento em relação aos preços de mercado: a aquisição de uma casa no condomínio Vivendas da Barra, no Rio, por valor bem abaixo do estimado à época; terrenos em Rezende (RJ) pagos por frações do que seria o preço de mercado; e um conjunto de apartamentos e kitnets em Copacabana adquiridos com combinações de cheques e pagamentos em espécie.
No mesmo dia, deputados federais do PT protocolaram pedido à Câmara para que o Banco Central apure a legalidade e a origem dos recursos usados por Flávio Bolsonaro na compra, em 2021, de um imóvel de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, que custou R$ 6 milhões. O documento, assinado por Rogério Correia, Ana Pimentel e Juliana Cardoso, aponta incompatibilidade entre essa aquisição e a renda declarada por Flávio à época, de R$ 56.833,51 mensais.
A movimentação política amplia a pressão sobre o pré-candidato Flávio Bolsonaro e coloca mais ingredientes na narrativa sobre a origem de recursos vinculados à família. Embora as declarações de Boulos e o pedido ao BC não sejam, por si sós, prova de crime, eles deslocam o debate para instituições capazes de verificar fatos e composições financeiras. O Correio aguarda posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre as insinuações e o pedido de investigação.