Em entrevista ao programa CB.Poder, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), fez um diagnóstico crítico da legislação criminal e pediu reforço de recursos e tecnologia para o combate ao crime organizado. Segundo o governador, a velocidade com que presos retornam às ruas — fruto, em sua avaliação, de fragilidades legais — tem efeito desmotivador sobre investigações que demandam tempo e esforço das polícias.
Brandão destacou a proposta de emenda constitucional sobre segurança em debate no governo federal e relatou convergência entre gestores sobre a necessidade de enfrentar as fontes de financiamento das facções. Ele elencou o pacote de apoio anunciado pelo Executivo: R$ 1 bilhão a fundo perdido para reestruturação e R$ 10 bilhões disponíveis para financiamento de investimentos. Para o governador, entretanto, o aporte só produzirá resultado se vier acompanhado de inteligência policial e equipamentos como videomonitoramento, reconhecimento facial e drones.
Ao justificar por que o Maranhão, na sua avaliação, sofreu menos avanço do crime organizado em relação a outros estados do Nordeste, Brandão listou medidas de gestão adotadas desde que assumiu: convocação dos 1.500 aprovados no concurso da Polícia Militar, chamamento de mais de 400 policiais civis do cadastro de reserva, aprovação da Lei de Organização Básica (LOB) para facilitar promoções, compra de mais de 1.000 viaturas em quatro anos, aquisição de munição, armas e drones e a criação de quatro bases de helicóptero. O governador atribuiu a essas ações a redução de 80% nos assaltos a bancos e roubo de cargas — números apresentados por ele como resultado das medidas.
Brandão também abordou a agenda social: disse ter retirado cerca de 1 milhão de pessoas da extrema pobreza em dois anos, restando 500 mil, e apresentou o programa 'Maranhão Livre da Fome', com um cartão de R$ 300 para cerca de 71 mil famílias, bloqueado para compra de bebidas e jogos a pedido de entidades sociais. Apesar das medidas operacionais e sociais, o próprio governador reconheceu o desafio do baixo IDH do estado, o que sinaliza que ganhos pontuais de segurança e renda ainda convivem com problemas estruturais.
Do ponto de vista político e administrativo, a fala de Brandão põe em foco um nó central: a eficácia de novos recursos federais depende de alterações institucionais e jurídicas que não foram detalhadas no debate. A reivindicação por mais tecnologia e financiamento expõe tensão entre ação de polícia e o arcabouço legal que regula prisões e penas — e coloca governadores diante da tarefa de transformar investimento em resultados sustentáveis, sob risco de desgaste político se as promessas não se refletirem em segurança percebida pela população.