O governo federal reagiu nesta quarta-feira à publicação do relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que sugere taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras. Em reunião ministerial no Palácio do Planalto, o presidente afirmou que o Brasil vai procurar outros mercados e enfatizou a necessidade de não adotar postura submissa diante de grandes potências. O Ministério do Desenvolvimento alerta que a decisão estadunidense ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras ao mercado norte-americano.
O relatório, resultado de investigação iniciada na gestão anterior em Washington, aponta entre as justificativas alegações de prejuízo a empresas de pagamentos eletrônicos — citando operadores de cartão e serviços como o WhatsApp Pay — em razão do avanço do Pix. Segundo a Presidência, havia uma negociação em curso depois do encontro entre Lula e Donald Trump em maio, com prazo de 30 dias para tentativa de acordo; a iniciativa do USTR surpreendeu o governo e muda o tom da agenda externa.
Politicamente, a medida acende alerta para a estratégia comercial do Planalto e amplia desgaste em torno da capacidade de negociação do Executivo. Há efeito prático para exportadores e cadeias produtivas que dependem do mercado dos EUA, ao mesmo tempo em que o prazo para manifestação do Brasil e de empresas se encerra em 15 de julho, abrindo espaço para argumentos técnicos e jurídicos — mas também para risco de retaliações. A resposta exigirá articulação diplomática, defesa técnica do setor privado e uma política de diversificação de parceiros.
Em consequência imediata, Lula informou que atenderá convite para participar do G7 em junho, em busca de apoio à defesa do multilateralismo e de espaço para discutir a recomposição de regras comerciais. A disputa com os Estados Unidos desloca o tema do plano econômico para o núcleo da agenda política, pressionando equipes diplomáticas e econômicas e obrigando o governo a demonstrar capacidade de reação sem comprometer relações estratégicas.