O governo federal apresentou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma estratégia que reúne R$11 bilhões entre recursos diretos e uma linha de crédito destinada a estados e municípios. Segundo o Planalto, houve definição de quatro eixos — combate ao fluxo financeiro do crime, controle sobre unidades prisionais, aumento da eficiência na resolução de crimes letais e redução do poder armado das facções — e dotação inicial de R$1,06 bilhão para este ano, além de uma linha de financiamento de R$10 bilhões pelo Fiis.
Entre as medidas anunciadas estão o fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e a proposta de formação de uma força nacional para operações interestaduais de alta complexidade. O programa prevê também a promoção de 138 unidades prisionais ao chamado padrão de segurança máxima, meta que o governo justifica afirmando que cerca de 80% das lideranças criminosas identificadas estão nessas unidades. O cronograma prevê operações mensais integradas e a instalação, até setembro, de comitês integrados de investigação financeira e recuperação de ativos.
A proposta reúne ações técnicas e financiamento, mas traz riscos e desafios políticos e operacionais. O recurso via Fiis — fundo criado em 2024 e indicado como fonte da linha de crédito — transfere parte da decisão sobre investimentos para estados e municípios, que terão de contratar e executar projetos elegíveis. O governo ressaltou que não pretende substituir as polícias estaduais, mas a efetividade do plano depende de articulação política e capacidade local: sem adesão ou sem contrapartidas estruturadas, a medida tende a ficar no papel.
Há também questões práticas que o anúncio não resolve: termos e condições da linha de crédito, capacidade administrativa para realizar obras e compras em escala, e indicadores claros de resultado. Politicamente, o governo aposta em sinalizar ação robusta contra facções, mas terá de transformar gasto em resultados mensuráveis para evitar que a iniciativa seja reduzida a retórica. Fiscalmente, o uso do Fiis e o compromisso com crédito em larga escala exigirão transparência e mecanismos de avaliação para limitar riscos aos cofres estaduais e federais.